Quase tudo o que em Marrocos se vende como trekking no deserto é na verdade um passeio
curto de dromedário entre dois acampamentos fixos. É bonito, mas não é caminhar, e quem
procurava uma travessia regressa a casa com a sensação de ter sido transportado.
Aqui caminha-se a sério, cinco a sete horas por dia sobre areia mole, e a caravana leva
tudo o resto: a bagagem, a água, a comida, a roupa de cama e o abrigo. É essa diferença
que torna possível um dia inteiro a pé, e é a razão pela qual o bivaque já está montado
quando lá chegam.
Cada partida é privada, de duas a doze pessoas, e há sempre um acampamento de luxo em pelo
menos um dos dois extremos. Dorme-se ao relento nas noites de travessia e numa tenda com
duche quente nas noites de acampamento. As duas coisas fazem parte da mesma viagem.